
Conflitos empresariais sempre existiram. Eles surgem em contratos, parcerias e relações comerciais. O que mudou foi o ambiente no qual esses conflitos se desenvolvem e o impacto direto que a forma de administrá-los passou a ter sobre o desempenho financeiro das empresas.
O Global Risks Report 2026, do World Economic Forum (WEF), aponta que o mundo entrou em uma “idade de competição”, marcada por confrontos geoeconômicos, fragmentação institucional e elevada incerteza. Metade dos especialistas entrevistados prevê um horizonte “turbulento ou tempestuoso” nos próximos dois anos, enquanto 57% projetam esse cenário para a próxima década.
Esse contexto redefine a forma como riscos operacionais, financeiros e jurídicos se conectam, especialmente em setores nos quais volatilidade de mercado, custo de capital e incerteza regulatória já pressionam margens e decisões de investimento.
No setor imobiliário, disputas contratuais, atrasos ou questionamentos sobre garantias podem comprometer cronogramas, postergar receitas e pressionar projetos já onerados por custos elevados de financiamento. No setor financeiro, litígios longos e imprevisíveis afetam eficiência operacional, elevam custos de compliance e reduzem a capacidade de alocação de capital para crédito ou expansão de portfólio.
Tratar conflitos apenas como um tema jurídico, e não como um risco econômico e de governança, representa uma falha estratégica que corrói valor, liquidez e competitividade.
Processos que se arrastam por anos, honorários imprevisíveis, deslocamentos constantes e baixa visibilidade sobre prazos criam um ambiente de ineficiência sistêmica. Além dos custos diretos, há impactos menos visíveis, mas igualmente relevantes:
Nessa lógica, o conflito deixa de ser um evento pontual e passa a operar como um centro permanente de custo.
A arbitragem digital surge como um modelo mais alinhado à dinâmica empresarial contemporânea. Sem alterar sua natureza jurídica reconhecida, incorpora tecnologia para estruturar, comunicar e conduzir procedimentos de forma mais rápida, transparente e previsível.
Os ganhos econômicos são claros: redução de custos operacionais, maior agilidade na resolução, previsibilidade de prazos e despesas, escalabilidade para disputas recorrentes e menor impacto na rotina da gestão.
O Global Risks Report 2026 indica que os riscos econômicos foram os que mais cresceram em percepção de impacto no curto prazo, superando riscos ambientais e tecnológicos. A fragmentação institucional e os confrontos econômicos entre grandes potências seguem pressionando a confiança, o comércio e o investimento global.
Em setores intensivos em capital, como o financeiro e o imobiliário, essa incerteza compromete a precificação de ativos, projeções de retorno e decisões de longo prazo. Manter recursos imobilizados em litígios extensos eleva o custo de oportunidade e reduz a atratividade de investimentos estratégicos.
Empresas mais eficientes não são aquelas que evitam litígios a qualquer custo, mas aquelas que os resolvem de forma rápida, econômica e previsível.
Como afirma Katsuren Machado, CRO da Arbitralis, “empresas não quebram por causa de um conflito isolado. Elas perdem valor quando normalizam disputas longas, caras e imprevisíveis como parte da operação. Resolver bem conflitos é uma decisão de gestão, não apenas jurídica”.
Em um ambiente competitivo, fragmentado e volátil, transformar a resolução de disputas em um mecanismo de gestão de risco deixou de ser boa prática, tornou-se imperativo para proteger caixa, preservar reputação e manter capacidade de investimento.
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